Vereadores da CEI realizam visita técnica à área investigada na Hípica
Denúncia aponta que Prefeitura estaria fazendo do local um aterro clandestino
POLÍTICA


Os vereadores que integram a Comissão Especial de Inquérito (CEI) realizaram, na manhã de quinta-feira, 12, uma visita técnica à área investigada por suposta existência de aterro clandestino, localizada na Avenida dos Imigrantes, na região da Hípica Jaguari. No local, os parlamentares puderam verificar in loco a dimensão da situação.
O vereador Quique Brown, autor do requerimento nº 491/2025, que deu origem à investigação sobre possíveis crimes ambientais na área, conduziu a visita. Segundo o parlamentar, a área abriga um córrego proveniente do Jardim Águas Claras e está próxima ao Ribeirão Lavapés, cuja junção deságua no Rio Jaguari.
De acordo com Quique Brown, a Prefeitura informou ao Ministério Público (MP) que teria sido aberta uma valeta para impedir o acesso de caminhões ao local. No entanto, durante a visita, os vereadores não identificaram obstáculos que inviabilizassem a entrada de veículos.
Durante a vistoria, o vereador Quique afirmou que a área aterrada se encontrava tomada pelo mato. “O mesmo crime cometido pela Quinta da Baroneza, a Prefeitura cometeu aqui”, declarou o parlamentar, ao mencionar o caso que resultou em multa ambiental de aproximadamente R$ 10 milhões.
Ainda segundo Quique, o aterro teria sido iniciado em 2022. “Após denúncia ao Ministério Público, a intervenção foi interrompida, mas posteriormente retomada”. No local, os vereadores puderam verificar a presença de terra misturada com entulho de construção, pneus e fios elétricos.
O vereador Sidiney Guedes, presidente da CEI, informou que os trabalhos da Comissão terão continuidade para a averiguação dos fatos. Já o vereador Rafael de Oliveira, relator do caso, afirmou que realizará pedidos de informação para verificar quais áreas são públicas e quais são particulares, além de aguardar a documentação necessária para a elaboração do relatório.
Participaram da visita os vereadores Sidiney Guedes (presidente da CEI), Rafael de Oliveira (relator), Ismael Brasilino, Miguel Lopes e Quique Brown, além da vereadora Missionária Pokaia. Também acompanharam a vistoria representantes dos departamentos Legislativo e de Comunicação da Casa, bem como membros de imprensa.
DOCUMENTAÇÃO
Ainda na quinta-feira, no período da tarde, após visita técnica à área de preservação permanente (APP) sob investigação da CEI, os vereadores da comissão realizaram sua 3ª reunião no auditório da Câmara Municipal. O encontro teve como pauta a oitiva do vereador Quique Brown, que apresentou aos colegas detalhes sobre o assunto em documentos oficiais e trechos de uma sessão da Comissão de Assuntos Socioeconômicos do ano passado.
Segundo Quique Brown, documentos encaminhados ao Ministério Público, à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) e ao Desenvolve São Paulo demonstram que, desde 2022, o Município negocia licenciamento ambiental e financiamento para obras viárias no trecho, o que, na avaliação do parlamentar, contradiz as respostas oficiais sobre desconhecimento de haver aterro clandestino.
“Por que o dinheiro [de financiamento de obras] está parado? Porque a Prefeitura não tem autorização [ambiental]. E aí vem o secretário de Meio Ambiente falar que não sabe de nada? (...) O governo deveria trabalhar para melhorar a qualidade dessa água, fazer plantio nas suas margens, proibir a ocupação da APP e não aterrar, como fez os dois últimos governos”, protestou.
A próxima reunião da CEI está prevista para ocorrer em 23/2, segunda-feira, às 9h, na sede do Legislativo, com a análise da relatoria sobre os materiais apresentados. Também acompanharam a reunião os vereadores Bruno Leme e Gabriel Curió.
